"...I've got so much left to say/If every simple song I wrote to you/Would take your breath away/I'd write it all..." Um pequeno espaço dedicado a devaneios, críticas ou palavras desconexas... Uma tentativa de organização dos pensamentos... Ou uma tetativa de desorganização... Vai saber...
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sábado, 12 de maio de 2012
Saudade
Texto escrito há algum tempo, mas que até hoje fala sobre como eu vejo e sinto esse sentimento tão paradoxo, que sentimos a cada dia.
Espero que gostem.
Saudade é aquela vontade de querer estar perto de quem não alcançamos. E um aperto no peito com um nó na garganta, que nos vem a cada tentativa frustrada de pegar o passado e transportar ao presente. Saudade, palavra exclusiva do vocabulário português, que expressa tão bem a angústia lancinante da perda de alguém... em qualquer cultura. Saudade é querer abraçar o mundo e só entrelaçar uma árvore. É olhar o infinito do mar e sentir falta de você...
Saudade é procurar no céu aquela estrela que surgiu com a perda daquele que amamos. É se olhar no espelho e buscar os traços do rosto já meio apagado na memória, que nos representa tanta coisa... Saudade é sentir o cheirinho da infância feliz, ouvir a música dos momentos comuns. É lembrar, em detalhes, de tudo que aconteceu, no dia em que a fotografia que você está olhando, foi tirada.
Saudade é sentir frio por dentro. É querer o colo reconfortante que não voltará. Saudade é analisar todos os seus atos e imaginar se a pessoa que nos faz falta os apreciaria. Saudade é olhar o seu cão abanando o rabinho e lembrar-se das manhãs na praia. É sentir a brisa tocar o seu rosto como o afago desejado. Saudade é olhar ao redor e ver o lugar vazio ao seu lado.
Saudade é aquela ferida que jamais cicatrizará e, sempre nos mostrará a importância de viver o presente como ele o é: único. Saudade é querer estar perto e não conseguir. É chegar ao topo da montanha e não apreciar a vista.
Saudade é o que eu estou sentindo agora. É esse sentimento doído que me faz perceber que tudo o que sou hoje devo a todos os momentos vividos até aqui. Saudade é não poder olhar nos seus olhos e dizer: “Obrigada por tudo! Eu te amo!”
Fernanda Roman
sábado, 24 de março de 2012
A proporção que uma metáfora espontânea pode tomar...
Me peguei falando sobre a morte outro dia com um taxista e ele me perguntou o que eu achava da morte...
A resposta saiu instantaneamente, sem pensar e foi: "Acho necessária: se não fossem as folhas mortas de uma árvore caírem no solo perto de sua genitora, esse mesmo solo acabaria por não ser adubado e toda a árvore morreria...."
Parei pra pensar depois, com calma na profundidade dessa metáfora... Acho que sem perceber expliquei a mim mesmo pq morrer é tão importante quanto nascer... Se pensarmos que nossa arvore genitora é o mundo, somos extremamente necessários para adubação do planeta, além de para criar espaço para novas vidas...
Triste sim, em alguns casos, traumatizante ou intenso demais... Mas morrer, passou a ser em minha opinião o 3 segundo ciclo mais importante de nossas vidas, perdendo apenas para o nascimento e reprodução...
O que e/ou se encontraremos algo após a morte deixou de ser importante para mim, quando percebi a plenitude do meu papel biológico no ciclo da vida ambiental mundial...
E mesmo parecendo extremamente frio e científico demais, estou feliz de ver na morte um motivo palpável, científico e essencial...
Ainda assim me reservo o direito de sofrer a perda de quem amamos... Mas inclusive o ciclo de luto nos leva ao aperfeiçoamento biológico e social...
Assim, apesar da dor da ausência, lancinante cruel e, sobretudo, vitalícia da ausência daqueles que nos são caros, descobri, sem querer, que devo ficar de certa forma feliz quando alguém parte desse mundo.
Doutrinas Espiritualistas e seus credos de lado, o Kardecismo está absolutamente correto quando afirma que deixamos essa esfera apenas quando terminamos de cumprir o que deveríamos ter feito aqui...
Esperanças humanas e extremamente necessárias para seguirmos em frente de volta, apesar disso tudo e, independente da religião ou credo de qualquer um, acredito que de certa forma nos reencontraremos algum dia, assim como as folhas mortas de uma árvore se tornam os nutrientes tão necessários para o crescimento desta mesma árvore.
E quem disse que esse reencontro precisa ser inteligível ou perceptível para todos nós? Tenho certeza que a folhinha que nasceu na árvore nunca pensou que se encontrou com seu ancestral... Mas também tenho certeza que sem esse reencontro ela jamais teria surgido para tornar a copa da árvore mais elegante, e sua vida mais duradoura...
Explicações biológicas a parte, a morte se tornou, para mim, uma parte feliz do ciclo de vida de alguém, apesar de toda dor deixada a quem fica... Afinal, enquanto animais que vivem em sociedade e, principalmente, enquanto seres humanos, somos egoístas quando o assunto é manter aqueles que nos são estimados a nossa volta.... E é esse egoísmo que nos faz sofrer tanto a perda de alguém...
Nada mais natural e também nada mais triste que esse egoísmo possa existir em nós... Acho que esse é o pior defeito de todo ser humano... Pois algumas vezes ele interfere inclusive nas perdas diárias que sofremos, como uma amizade desfeita, um amor findado ou até mais simples que isso um bem perdido...
Acho que o grande segredo da humanidade está não está em descobrir o segredo da longevidade mas em descobrir se, como, quando e o que fazer para mudar esse pequeno defeito de fabricação... O mundo seria mais agradável e prazeroso sem ele...
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